A Música e o Design andam juntos? Entrevista com Ricardo Seola


Continuando nossa série de entrevistas aqui do nosso blog da Projeto Estrutural Online, para você ver curiosidades, inovações, e inspirações para o seu dia a dia profissional na arquitetura, conversamos com o músico e designer RICARDO SEOLA, brasileiro, mas que reside e trabalha com design e arquitetura na Itália a mais de 5 anos. Se quiser conhecer um pouco do trabalho dele acesse www.ricardoseola.it, ou faça contato com ele pelo e-mail ciao@ricardoseola.it

ricardo seola

Entrevista com o músico e designer Ricardo Seola:

1. Como você se interessou por design?

Foi através da música, pela demanda de criar material gráfico para a banda da qual eu participava. O fato de eu cursar marketing na época ajudou a reforçar a ideia de que deveríamos ter uma postura bastante profissional em todos os sentidos, não só no palco, mas também na imagem da banda como um todo. Por isso comecei a aprender softwares que me permitissem desenhar os cartazes, flyers, e tudo mais que fosse necessário.

2. O que é o design pra você?

É uma ideia com execução viável em série, bem planejada e que tenha um apelo estético significativo.  Às vezes as pessoas não consideram o quanto o componente subjetivo é importante no papel do produto, por isso acredito que estética também seja função. Projetar é contar uma história, e nem sempre sua função é prática. 

3. Qual a diferença entre projetar no brasil e projetar na italia?

A Italia deve ao design e à arquitetura boa parte do seu renascimento pós-guerra. Isso fez com que essas disciplinas ganhassem importância acadêmica e cultural ao longo do tempo. A Italia tem um arquiteto pra cada 414 habitantes, é a maior proporção do mundo, mais do que o dobro do que países industrializados importantes como a Alemanha, Dinamarca ou Estados Unidos. À partir disso, toda a relação da cadeia produtiva se torna mais profissional e muito mais facilitada.  A quantidade de fornecedores pra todo tipo de material é o fator que mais me impressiona em relação ao Brasil. 

 

4. Como você vê a importância do networking?

Vejo como uma questão de postura profissional, e não de mercado. Pra mim, o networking só é útil depois de um bom trabalho ser apresentado, e não antes. Em um ambiente maduro e profissional na área criativa, o que conta como entrada é o portfólio. À partir daí a rede de relacionamentos só traz benefícios, mas é um passo posterior à competência. 

 

 5. Qual foi o seu projeto mais desafiador?

Trabalho em um escritório de arquitetura especializado em retail design. Como a maioria dos clientes é de moda, de essência particularmente efêmera, todo trabalho acaba sendo desafiador de uma forma diversa, pois as abordagens projetuais mudam constantemente, seja por um fator de tendências estéticas, seja pela tecnologia de novos materiais disponíveis. Sendo especializado em marketing e design, abordar os projetos com um escala arquitetônica, muito maior, foi o maior desafio no começo. Considerando que os projetos são para grandes marcas, como Dolce&Gabbana, Bulgari e Ray Ban, por exemplo. a responsabilidade é muito grande. 

 

6. como foi ganhar um prêmio internacional de design?

Foi inesperado, porque foi meu primeiro projeto de design. O produto, um brinquedo musical educativo, foi feito como trabalho para a Scuola Politecnica di Design, onde estava cursando o master. O projeto teve bastante sucesso interno e por sugestão dos próprios professores o inscrevi no iF Award, na Alemanha, um dos mais respeitados prêmios de design. Fui um dos vencedores e isso não só abriu muitas portas, mas também me deu confiança pra seguir no design, já que era meu primeiro ano de estudos na área depois de ter me graduado e especializado como profissional de marketing. 

7. Qual a importância da internet para o seu trabalho?

Meu trabalho não existiria sem a internet. Seria muito difícil ter acesso à toda a informação necessária pra criar um bom repertório sem a internet, e além disso a produtividade seria muito limitada pelas ferramentas que uso pra o trabalho, algumas delas, inclusive, online. 

8.  Como a fotografia participa do seu trabalho?

Pra mim a fotografia é uma forma de reconhecer a beleza em todo lugar, de procurar um quadro, um gesto gráfico que faça sentido no meio do caos urbano. Gosto de como a natureza desenha com o sol e com as sombras, os contrastes, de tirar de um cenário tudo o que é superficial e fazer um recorte da calma. A fotografia e o meu trabalho são complementares. Um dá suporte pro outro reforçando a sensibilidade.

9.  Você acha que fotografia muda com o uso dos smartphones?

Muda no que diz respeito ao acesso às ferramentas. Especificamente pra fotojornalismo ou fotografia de rua, ter a disposição sempre e em todo lugar uma máquina fotográfica é uma enorme vantagem não só pro fotógrafo amador, mas também pro profissional. Hoje, em algumas situações, um smartphone faz fotos tecnicamente tão boas quando uma máquina dlsr faria, graças não só às especificações de hardware, mas também de inteligência artificial.  Boa parte das minhas fotos que tiveram algum tipo de reconhecimento ou prêmio foi feita com o celular. Tecnicamente a abordagem acaba sendo diferente, e é tão importante saber como funciona a câmera do celular quanto saber como funciona a câmera profissional. No entanto, a parte mais importante, o bom gosto e a forma como o fotógrafo se comunica através das fotos, é o que faz diferença.

10. o que você diria para alguém que esta começando a estudar design agora?

Exercitar a sensibilidade e ser curioso acima de tudo.  Não subestimar nenhuma possibilidade de se enriquecer culturalmente, ter a biblioteca e museus como segundas casas e procurar inspiração sempre. Existe beleza em todo lugar.

 

11.  E como você diria pra essa pessoa se preparar alem da faculdade?

Não deixar ideias na gaveta. Toda vez que surgir um sentimento que possa levar à um projeto, realiza-lo. Projetos que saem da gaveta geram críticas e consequentemente conhecimento. Projetos paralelos são muito importantes para que as pessoas entendam o que existe além do designer. Meus projetos de música e foto, que ocupam meu tempo livre, tem tanta ou mais importância do que meus próprios projetos como designer para a imagem que o mercado faz de mim como profissional. 

12.  Qual a sua visão sobre o design atual?

As produções em pequena escala, e personalizáveis, têm mudado muito o cenário do design nos últimos anos. Muitos designers têm se permitido uma abordagem mais artística em seus projetos, assim como muitos artistas têm aprendido a projetar. Por exemplo: Uma das marcas premiadas na última Design Week em Milão em Abril foi a CC-Tapis, uma marca de tapetes que não produz nenhum produto em série. Cada tapete é feito à mão à partir da ideia de um designer ou artista. A mudança significativa no caso é que o design continua tendo que ser produzido através de um projeto, mas a escala pra que isso seja viável economicamente caiu muito drasticamente. Acho muito positivo, porque dá aos designer à possibilidade de chegar no mercado sem necessariamente depender de um grande player ou da indústria de grande escala, que, além, de ser muito disputada, oferece um retorno quase insignificante aos criadores. 

13.  Você ve mudanças na área do design nos próximos 5 anos?

Acredito que duas pontas dos setor tentarão se afastar uma da outra para que haja uma vantagem competitiva que tenha sentido. A grande indústria que desenvolve tecnologia pode se desenvolver de forma que só faço sentido produzir em grande escala, mas de com um resultado impossível de se atingir com a produção artesanal. Marcas como Vitra e Kartell, por exemplo, passam anos no laboratório para que projetos de importantes designers possam ser realizados com a tecnologia necessária. Do outro lado, vejo os designers mais seguros, competentes e com ferramentas à disposição pra que não dependem desse tipo de empresa para a execução dos seus projetos. Há alguns anos já observo o conceito do artesanato em série tantos nas grandes feiras de design quanto nas pequenas mostras artísticas. Por isso acredito que a indústria possa querer se afastar das pequenas tiragens pra não competir com o designer artesão, que por sua vez pode ter sua força justamente na individualidade e na repetição não perfeita das suas séries. 

 

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