ARQUITETURA EDUCACIONAL – UM OLHAR SOBRE ESTA 1


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Este semestre, na experiência que estou tendo de lecionar para os alunos de arquitetura, vou ter mais uma vez a oportunidade de trabalhar o tema arquitetura educacional com eles, especificamente espaços que atendem crianças de 6 a 14 anos.

Objetivo deste post é trazer um pouco da reflexão sobre o tema da arquitetura educacional, questionamentos não só sobre arquitetura, mas a forma que a educação muitas vezes é tratada, o que acaba tendo reflexos nos espaços educacionais.

Neste artigo também trouxemos quadro vídeos muito interessante sobre métodos educacionais diferenciado.

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A atual arquitetura educacional

A atual arquitetura educacional, principalmente as edificações que não tiveram a participação de arquitetos ativamente, apresentam uma imposição do espaço sobre a criançada. Uma imposição de Poder! Como?

1º – da sociedade de classes, 2º – das instituições representativas dessa sociedade, 3º dos adultos em geral, que se apoderam do espaço da criança e o transformam num instrumento de dominação.

A organização e a distribuição dos espaços, a limitação dos movimentos, a nebulosidade das informações visuais e até mesmo a falta de conforto ambiental estão voltadas para a produção de adultos domesticados, obedientes e disciplinados – se possíveis limpos – destituídos de vontade própria e temerosos de indagação.

Valores Projetos Complementares

Valores Projetos Complementares  bit.ly/tabelavalores

Nesse processo, somos todos co-responsáveis. Há, em todos os lugares, como que a obsessão do controle que perpassa todos os nossos comportamentos adultos com relação à criança; precisamos sentir-nos donos da situação, ter presentes todas as alternativas que a criança poderá escolher, porque só assim nos sentiremos seguros.

A liberdade da criança é a nossa insegurança, enquanto educadores, pais ou simples adultos, e, em nome da criança, buscamos a nossa tranqüilidade, impondo-lhes ate os caminhos da imaginação, influenciando com isto até a arquitetura educacional.

A insegurança não diz respeito apenas ao medo de que crianças fiquem expostas a possíveis perigos, pois estes são reais e podem ser controlados objetivamente; o medo maior é o do desconhecido, do novo que pode surgir na ação da criança e que pode colocar-nos diante da necessidade de nos repensarmos enquanto profissionais, enquanto pessoas que dominam o saber e, portanto, o poder.

As regras dos adultos

“Quando as regras dos adultos obrigam a criança a ficar passivamente olhando seu meio ambiente, proibindo-a de arranjar, saí da sala de aula ou playground, ela provavelmente não terá um papel ativo na solução dos problemas”, Robert Sommer no seu livro Espaço Pessoal.

Comparando a escola atual como que este autor coloca, o espaço escolar não poderia ser outro: desinteressante, frio, padronizado e padronizador, na forma e na organização das salas, fechando as crianças para o mundo, policiando-as, disciplinando-as.

Em nome da economia, as soluções para arquitetura educacional são as mais comprometidas: a largura das passagens, dos corredores e das escadas reforçam a vontade permanente dos adultos colocarem as crianças em filas; as aberturas, pequenas e os muras altos e cegos, para impedir o acesso externo de estranhos servem também para impedir que as crianças se distraiam com o mundo externo.

A Arquitetura educacional que ainda permeia

Entramos já no século XXI, e arquitetura educacional continua a mesma, do século XIX, com a mesma disposição das salas de aulas. Salas compostas com carteiras em fila indianas, cabeça olhando cabeça, e voltadas para o único centro do poder; o professor.

As salas no passado tinham, como continuam tendo, orientação para abertura de janelas à esquerda das carteiras, quadro-negro à frente, 1,10m de altura, junto à porta de acesso, com visor para a inspeção dos administradores. Essas salas sucediam-se lado a lado, ao longo de corredores mal iluminados, terminando no galpão de recreio e começando com as salas do diretor, da secretaria e dos professores, finalizado uma má arquitetura educacional.

Este esquema, sempre igual, dava às escolas um ar de presídio, onde as crianças caminhavam em filas, sob as vistas dos professores. Mas o esquema ainda hoje não mudou inteiramente. O condicionamento à disciplina dá o tom dela de espaços escolares.

O sinal de inicio e de fim de cada aula nada tem de convidativo; é um alarme, uma sirene que uiva, esperando que cada criança, esteja onde estiver, se coloque em posição de sentido, obedeça ao chamado, se ponha em fila. As escolas que agem diferentemente ainda continuam sendo exceções, bem como as que tem uma arquitetura educacional diferenciada.

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A relação que se espera estabelecer no interior dos espaços escolares não é uma relação entre iguais, no sentido de que todos os envolvidos tenham lugar para opinar, para descobrir, para aprender. Todo o esquema espacial reflete a relação de autoridade, de disciplina.

Janelas altas procuram impedir o olhar curioso das crianças para o mundo de fora. A disposição das carteiras, a posição do professor, tudo se volta para a tentativa de forçar a concentração que métodos e conteúdos desinteressantes não são capazes de manter.

Essa distribuição espacial dos alunos pressupõe que não há necessidade da troca de idéias entre seus pares; ouvir o colega, somente através do professor. Descarta-se a possibilidade de as crianças aprenderem a construir suas próprias idéias, manifestar-se, respeitar a ser respeitadas nessa manifestação.

A sala de aula não é um espaço das crianças. Elas não podem se apropriar, fazendo desenhos, deixando suas marcas. Isso seria classificado como sujeira no espaço escolar. Já pensou em a própria criança contribuindo para arquitetura educacional?

Afinal de conta, que espaços são esses? O século vinte e um ainda não proporciona uma arquitetura que contribua de uma forma diferente com a educação. Mas cabe ao arquitetos e educadores promoverem, quando lhes dado a oportunidade, uma nova arquitetura educacional.

Obervação: este texto teve como base o livro A cidade e A criança de Mayumi Souza Lima.

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