Escala: Infantil – Arquitetura para crianças


Escala: Infantil – Arquitetura para crianças

 

Crianças. Uma bênção para alguns, uma aversão para outros. Seja qual for a sua preferência, como arquiteto, é nossa obrigação entender a diferença entre projetar para o usuário comum – e os que preferem comer giz de cera.

Começaremos com o exemplo mais comum de arquitetura que leva em consideração a escala infantil: as escolas.

 

A escala das crianças: breve histórico sobre mobiliários infantis,Montessori Kindergarten / ArkA. Image © Chiara Ye

Jardim de Infância Montessori

 

Bebedouros, mesas, cadeiras, bancos, banheiros e etc. são todos dimensionados (ou ao menos deveriam) para o uso das crianças. Neste ambiente, vê-se respeito ao seu usuário primário devido as considerações de psicologia ambiental já estudadas no espaço escolar.

“A psicologia ambiental trata essencialmente da percepção humana do ambiente que envolve o indivíduo e os sentimentos resultantes em relação a esse mesmo ambiente.” (GIFFORD, 1997 apud KOWALTOWSKI, 2011, pág. 40)

Kowaltoski escreveu “Arquitetura Escolar – o Projeto do Ambiente de Ensino”.

Graças ao sucesso da pedagogia científica, cada vez é mais presente nos projetos escolares o emprego de conceitos e estudos psicológicos sobre os espaços físicos que resultam em uma melhoria positiva do aprendizado e do conforto das crianças.

Texturas, como o mobiliário é distribuído, iluminação e até mesmo paredes curvas – são todos elementos que podem influenciar a percepção da criança sobre o seu espaço pessoal na escola, e por consequência, seu comportamento.

Atualmente, portanto, projetos escolares visam utilizar destes saberes para conceber projetos que abracem estas ideias e obtenham resultados mais positivos para seus usuários. Afinal, caso isso não seja realizado, Kowaltoski possuí um dado preocupante:

 

“(…) 50% do vandalismo em escolas, na verdade, resultam de detalhamento arquitetônico falho, e que projetos com qualidade podem evitar deterioração dos espaços escolares.” (KOWALTOWSKI, 2011, pág. 44, comentando estudo de Zeisel, 1981)

 

Claramente, este é um comportamento que nenhum arquiteto deveria almejar em incentivar – mas, por que este pensamento geralmente é limitado a apenas espaços escolares?

Para se ter uma ideia, o primeiro registro de um móvel feito para crianças foi no Egito Antigo – uma cama feita com dimensões infantis. Foi apenas na metade do século XX que designer começaram a pensar e desenvolver mobiliário direcionado ao uso das crianças, levando em consideração ergonomia e estética.

 

Cama multifuncional para crianças desenvolvida por Bruno Munari, em 1971

 

Parques, hospitais e até mesmo mobiliário urbano público costumeiramente não possuem qualquer consideração com usuários de escala infantil, que ainda necessitam da ajuda de responsáveis para navegarem e utilizarem com segurança estes ambientes.

De fato, as vezes é complexo conseguir atender um programa de necessidades extenso enquanto ainda inclui equipamentos e ambientes preparados para a escala de uso infantil. Afinal, o pensamento e consideração das crianças em um espaço é algo relativamente novo e que, além das escolas, poucos ambientes se dedicam a atender essa demanda.

Mas, se com os conhecimentos reunidos pela pedagogia científica e neurociência – que indicam vários benefícios de um espaço conscientemente projetado para inclusão infantil – e o código de ética dos arquitetos mencionando:

“2.3.3. O arquiteto e urbanista deve envidar esforços para assegurar o atendimento das necessidades humanas referentes à funcionalidade, à economicidade, à durabilidade, ao conforto, à higiene e à acessibilidade dos ambientes construídos.” (CAU, 2013, Código de Ética e Disciplina para Arquitetos, pág 7.)

Não está mais do que na hora de começarmos a pensar na geração futura – ainda que eles só queiram jogar Fortnite?

 

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