Neurociência na Arquitetura: Neuroarquitetura


Neuroarquitetura – mais uma área para a salada de conhecimentos arquitetônicos!

Quando você começa a trabalhar com Arquitetura, uma das primeiras coisas que você irá notar é a quantidade de ramos que a mesma possuí. Você pode trabalhar com paisagismo, como projetista, executando obras, fazendo cronograma das mesmas – até com maquetes, se o seu coração assim desejar.

A Arquitetura é uma área de conhecimento com braços muito longos, que se estendem em diversas outras áreas, utilizando-as para desenvolver novas tecnologias, formas de construir – e talvez um dos traços mais peculiares da arquitetura – novas formas de se expressar, refletindo a aspectos culturais da sociedade.

Às vezes, não percebemos que vamos absorvendo estes conhecimentos, pois é quase um processo de osmose para os profissionais do ramo. Possuir uma noção de quanto tempo uma obra leva, quantos materiais são necessários, qual o maquinário – são todas questões administrativas e de logística – mas o arquiteto acaba as aprendendo com o tempo.

Um exemplo clássico: uma hora você está estudando arquitetura, maravilhado em como as estruturas daquele projeto do ArchDaily ficam de pé. Na outra, você está projetando e sente um calafrio quando percebe que o cômodo tem vinte e cinco metros de vão livre. Você já agenda uma conversa com o engenheiro e prepara seus argumentos.

Pavilhão português para a Expo’98, em Lisboa. 70 metros de vão livre, só para mostrar o domínio do conhecimento estrutural do projetista

Agora, visando adicionar a gama de saber que a arquitetura possuí – uma nova área de conhecimento começa a aplicar seus estudos afim de avançar alguns conceitos e como nos relacionamos com a arquitetura: A Neurociência.

Tópicos deste artigo:

– O que é Neurociência

– Como isso se aplica em Arquitetura?

– Então, o que exatamente é Neuroarquitetura?

– Como isso pode influenciar o mercado?

Temos também um podcast sobre o assunto, com a Luiza Alano (Neuroarquiteta). Confere aqui!

Duração: 33min

O que é Neurociência?

 

Em si, Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso com o intuito de descobrir como funciona, se desenvolve e se estrutura. Porém, com o tempo, se tornou uma ciência interdisciplinar que auxiliar outros campos de conhecimento como a engenharia, antropologia, química, psicologia, etc.

Neste artigo, focaremos nas áreas que exploram as vertentes psicológicas, comportamentais e cognitivas do estudo da Neurociência, visto que são estas que mais se aplicam a arquitetura. É necessário explicar um pouquinho destas áreas, para referência no próximo tópico.

Começando pela neuropsicologia, a mesma se define como estudo da interação entre o cérebro e o comportamento humano. Apesar do principal foco da neuropsicologia é estudar como lesões, alterações genéticas e outros agravos no sistema nervosa influenciam e causam algum tipo de consequência no comportamento humano, a mesma também desenvolve os conhecimentos de funções executivas do cérebro como atenção, memória e interpretação.

Já a neurociência comportamental, estuda a motivação de nossas ações e os fundamentos do comportamento humano em contato com fatores externos. Por exemplo, quais gestos usados por uma pessoa, a forma dela falar e sua postura e até mesmo nossas ações involuntárias como os motivos de nosso corpo reagir de uma maneira específica em uma situação.

Este campo da neurociência é muito auxiliado pela anatomia e psicologia, visto que utiliza a estrutura cerebral e terminações nervosas para desenvolver sua área de conhecimento.

Por último, a neurociência cognitiva possuí áreas de conhecimento compartilhadas com a neuropsciologia – como o estudo da memória, por exemplo – pois a mesma explora os procedimentos cognitivos, relações dos processos mentais e como se manifestam no comportamento do indivíduo.

De maneira abrangente, é uma área de estudo que visa estudar a atenção, consciência, tomada de decisões, entre outros temas do ser humano.

 

Em suma: A neurociência visa estudar as relações entre o cérebro, os nervos periféricos e a medula espinhal, pois são eles os responsáveis por todas as atividades do corpo – sejam elas voluntárias ou não.

“- Mas e daí? O que eu faço com essa informação?” Eu te ouço perguntando, caro leitor. É agora que vem a parte boa! (para a arquitetura, eu me refiro)

 

Como isso se aplica em Arquitetura?

 

Quando estamos dentro de um espaço – seja ele uma recepção, um quarto ou a rua – nosso cérebro está constantemente recebendo estímulos destes locais, os analisando e absorvendo informações, mesmo que sem a sua atenção dedicada para isso.

Por exemplo, você pode chegar no banco e alguém comentar “Vai chover, né?” e você, que não tinha pensado sobre isso enquanto caminhava, começa a perceber as informações que seu cérebro registrou no caminho – as sombras, o vento, a ausência de Sol… É, talvez chova mesmo – você concluí.

Aliás, você tirou as roupas do varal? – seu cérebro pode adicionar, só de sacanagem.

Esta varredura e análise de informações que o cérebro realiza constantemente é natural e, até certo ponto, involuntária. A neurociência busca estudar essas relações e quando aplicamos estes conhecimentos a arquitetura, podemos gerar opiniões mais precisas sobre nossas motivações.

Quais são os estímulos que seu cérebro realiza, quando você entra em um espaço? Por que você gosta tanto de pé direito duplo? O que está acontecendo na sua mente, quando você está desconfortável em um local? Você prefere arquitetura clássica ou minimalista? Arquitetura industrial, orgânica – ou ambos?

São perguntas como estas que a neurociência aplicada na arquitetura – também conhecida como neuroarquitetura – busca responder. Pois, se é interessante para você saber estas informações sobre si…

Imagina saber estas respostas, do seu cliente?

Possuir este tipo de conhecimento auxiliará muito os negócios. Afinal, conhecer o seu cliente e o que ele deseja é parte fundamental para realizar um projeto adequado e condizente com o que ele espera dos seus serviços.

Afinal, ser um profissional de arquitetura – além de tudo – é conseguir ajudar pessoas que não possuem o seu repertório e conhecimento sobre o assunto a atingir o que sempre sonharam ou desejam.

 

Então, o que exatamente é Neuroarquitetura?

 

Neuroarquitetura, portanto, é o produto dos estudos da área de Neurociência aplicada sob a lente e temática da arquitetura.

Como as pessoas reagem a determinados espaços, o que as provoca e chama sua atenção enquanto convivem em um ambiente, como isso afeta o seu comportamento – todas estas questões são relevantes para o uso da arquitetura, pois auxiliam a encontrar o que é necessário para criar um espaço que promova um tipo de comportamento.

Na arquitetura, trabalhamos com uma variedade enorme de espaços que possuem seus determinados propósitos. Uma casa ou jardim, podem desejar promover bem-estar. Já um shopping, que precisa de um fluxo grande de pessoas, deseje promover a atividade e a disputar a atenção de seus usuários.

 

Como isso pode influenciar o mercado?

 

Com a neuroarquitetura, será possível realizar estudos e testes que visem a compatibilização de decisões projetuais – levando em conta o bem-estar dos indivíduos que o frequentam ou frequentarão – com pouco viés.

Ou seja, utilizando equipamentos que captarão a atividade cerebral será possível traçar mapas de referência sobre o que estimula o indivíduo, positivamente e negativamente, conforme o mesmo caminha pelos espaços projetados.

Não se perderá mais tempo projetando afim de identificar o que agrada o cliente, antes de visualizar – através destes mapas e gráficos – o que de fato o cliente percebe como agradável e desejável.

Com este tipo de informação, mesmo que o cliente desconheça o que deseja ou não consegue colocar em palavras – você terá informações sobre ele e como ele reage a determinados espaços, para que use como referência ao projetar os seus.

Grandes empresas ou projetos comerciais, podem utilizar desta tecnologia para analisar as reações das pessoas quando visitam os espaços de forma virtual – com o auxílio de óculos 3D. Desta forma, há um feedback de como os espaços estão projetados e dispostos, como o fluxo ocorrerá e o que atrai mais o indivíduo.

Informações como essas são valiosíssimas para edifícios comerciais como shoppings e galerias, pois as lojas em locais mais atraentes e de maior fluxo costumam ser mais disputadas – e por consequência – mais caras.

É claro que, esta tecnologia é ainda irrealizável no cotidiano. Atualmente, os estudos da neuroarquitetura são jovens e ainda possuem um bom caminho até que seus formatos se apliquem no dia-a-dia.

Em podcast conosco, a Luiza Alano, Neuroarquiteta, descreve:

“Vale também mencionar aqui, que existem insights da neurociência que as pessoas aplicam – embora você não tenha formas de mensuras as reações. Você só tem um estudo base, que alguém fez em alguma região do globo.”

Portanto, aplicar a neuroarquitetura com método científico – utilizando os equipamentos que captam atividade cerebral, por exemplo – é ainda inviável devido ao alto valor financeiro necessário para aplicar os equipamentos neurocientíficos e realizar os testes e experimentos.

Ou talvez no futuro, será tudo feito por aplicativo de celular mesmo.

A imagem é ilustrativa, mas já imaginou?

Atualmente, toda essa ideia de realizar os testes neurocientíficos com o cliente podem parecer tabu. Como é que vais comentar com um cliente sobre isso?

– “Opa, Sra. Cliente, por favor, coloque estes aparelhos pois vou escanear seu cérebro só para conferir se a paleta de cores tá ok.”

De fato, a ideia pode parecer como algo visto em filmes de ficção científica, ou apenas uma invasão de privacidade disfarçada – e cada um é livre para ter sua opinião sobre isso. Porém, estes testes parecem cada vez mais frequentes em projetos de grande escala e comerciais – pois são eles que dão uma resposta fidedigna de como as pessoas se relacionam com o espaço.

Será mesmo a Neuroarquitetura, o futuro da arquitetura? Ou é apenas uma tendência que deixará de existir em pouco tempo?

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